Ser Mãe é meu CULTO diário ao meu DEUS

Ser Mãe é meu CULTO diário ao meu DEUS

Três anos após meu casamento tive uma das experiências mais impressionantemente maravilhosa que um ser humano pode desfrutar. Ao ver meu corpo sendo preparado miraculosamente eu tive o prazer de sentir um ser frágil sendo formado no meu ventre. Enjoos muitos, sensações e sentimentos estranhos e difíceis, apetites curiosos, sensibilidade aflorada. Remelexos e chutes internos. Cds de ninar constantes. Meu esposo à barriga a cantarolar hinos e cânticos infantis: “Um patinho nadando na lagoa, ele grita: Ó meu Deus que água boa!” Rsss. Então vem à luz um garoto lindo com a necessidade de uma cirurgia urgente no coração. 7 horas dificílimas no oitavo dia! O ventrículo direito estava em conexão com a aorta e o ventrículo esquerdo com o tronco pulmonar. Morreria em poucos meses caso não houvesse a cirurgia. Entre a vida e a morte durante vários dias. Choros, incertezas, orações às centenas e de todas as partes. 30 dias na UTI. E no final do “túnel”: Lar, doce Lar!

Após a tempestade vieram as muitas fraldas, noites “dormidas com um olho aberto e outro fechado”, a sensação maravilhosa de amamentar, de segurá-lo no colo, de inspirar profundamente aquele precioso cheirinho de coisa celestial. Tantos desafios, propósitos e necessidades. Coisas naturais e muitas inesperadas afinal de contas nenhuma mãe “nasce” sabendo de tudo. Na verdade, não sabemos quase nada. Amor e paixão, altruísmo, criatividade, no entanto, vão ajudando no aprendizado diário e constante.

Fiquei tensa no primeiro dia de escolinha ao vê-lo chorar. Terceirizar essa área não foi fácil. Sofri e sofro. Quatro internações, várias consultas. Dores e temores regados por muitas orações! Aos 6 anos uma segunda cirurgia reparadora. A ansiedade tentando, mais uma vez, invadir nossos corações! Vencemos! Quero dizer: Deus nos fez vencer!Ele é o Pedro Victor! O Pedro que Venceu!

Hoje após 13, quase 14 anos, olho pra trás e vejo tanta vida vivida! Certamente abandonei muito pra ganhar meu filho. Abandonei projetos pessoais, trabalhos cristãos, crescimento teológico. Servi muito pouco na Igreja, quase não saí de casa.  “Abandonei” minhas amigas. “Não posso” e “não vai dar” foram frases muito usadas nesses anos. Abandonei a mim mesma para ganhar o que de mais precioso existe para uma mulher: um filho com caráter, estável, que ama e é amado. Abandonei a mim mesma para ser uma mulher extremamente lapidada nesse maravilhoso processo.

Meu trabalho é sagrado e o meu salário é eterno. Tenho já agora filhos que me amam. Vejo todos os dias seus olhinhos brilhando de felicidade, seus sorrisos diários, suas vidas recém chegadas desfrutando de um lar estável e que ama ao SENHOR.

Para essa sociedade perdida eu sou uma mulher que desperdiçou sua vida, que não trabalha, sem propósitos, sem uma carreira que dá, segundo esse mundo, sentido à vida. Meu serviço sagrado é chamado pejorativamente de “Prendas do Lar” e há um ar de “coitada” quando sou obrigada a dizer essa frase em alguma loja ou instituição. Porém o meu emprego é divino e o meu ganho é invisível, real e ressoa no sorriso e na segurança de meus 3 filhos: Pedro, 13, Júlia, 10 e Lucas, 6. Esse é o maior salário que uma mãe pode receber. Como disse o apóstolo João: “não tenho maior alegria do que essa: a de saber que meus filhos caminham na verdade.” 

Eu creio que a maternidade é um ministério, um serviço sagrado. Como ser pastor ou missionário. Ser mãe é buscar a Glória de Deus incansavelmente. É ter filhos criados não para a calamidade eterna. Filhos com sentido de vida, com firmeza de espírito, com vida abundante, com sorriso na alma, plenos de paz com Deus. Esse é o meu preciosíssimo salário. Dinheiro que o mundo não me pagaria nem se eu trabalhasse 24 horas por dia. Salário que traz um aroma paradisíaco ao meu lar, que faz com que meus 3 filhos corram sorridentes de um lado pro outro, que promove riqueza espiritual, que fortalece a sociedade e glorifica o meu Deus.

Ser mãe pra mim é o meu culto diário a Deus!

Um Milagre chamado Mãe

Um Milagre chamado Mãe

Quando Deus fez o ser humano Ele criou o reflexo de seu ser na Terra. Alguém que interagisse com a criação com sabedoria, criatividade, emoção, que pudesse falar, pensar, ter desejos.

Quando Deus quis refletir o seu relacionamento com seu povo, um povo que seria resgatado na Cruz do Calvário, Deus criou a família. Nela ele revelou seus pensamentos acerca de Israel e da Igreja, com seu povo. Um relacionamento que é imutável, incondicional, indissolúvel. Um relacionamento que diz: “Nunca jamais te abandonarei”.

Ah mas quando Deus quis mostrar como é o seu amor, sem dúvida ele fez um milagre. Um milagre chamado MÃE! Algo impossível e que se não víssemos um desses milagres com os nossos próprios olhos não acreditaríamos que existisse.

Um ser improvável de existir e teoricamente inacreditável.   Teoricamente pois na prática nós conhecemos milhares desses milagres feitos por Deus e, em especial, um desses seres improváveis ou impossíveis está bem pertinho de nós.

Como a um frasco de perfume, Deus resolveu, em Seu eterno querer, derramar, copiosamente dentro desse ser, seu profundo amor, carinho, cuidado e emoção. Ele colocou algo infinito e eterno nesse recipiente humano que é frágil e limitado. Como é possível que o amor eterno de Deus esteja em um ser humano? Como podemos contemplar a beleza amorosa de um Deus infinito, ilimitado e totalmente santo num ser tão frágil e com tantos limites e imperfeições? Como é possível em um recipiente tão pequeno conter tamanho amor? Como é possível tanta resignação, altruísmo, incondicionalidade. Como pode ser isso (?) que, em um ser humano, Deus possa ter jorrado suas características e atributos mais elevados? Alguém que possa tudo crer em relação aos filhos, que tudo sofra, que tudo suporte, que não procure seus próprios interesses, que não se ressinta do mal, que tudo espera e que é impressionantemente paciente e que busca incansavelmente o bem dos seus?

Como isso é possível? Como?

Dizem por aí que milagres não existem mas eu posso ver uns todos os dias. Eu posso pegar, abraçar, beijar, posso tocá-los. Posso contemplá-los e ficar pasmo com tamanha entrega de vida, com tanta demonstração de amor incondicional, constante, paciente, perpétuo, terno, carinhoso, dedicado e centenas de milhares de outros adjetivos que não daria tempo de referir.

Mãe, nós te amamos!

Amamos o milagre de Deus que é você.

Esse perfume de Deus chamado Mãe. Que perfuma nossa vida e que jamais gostaríamos de ficar sem.

Mãe, obrigado pelos 60 minutos de todas as 24 horas de todos os 365 dias de todas as dezenas de anos nos quais você se dedicou a nós e que ainda nos dedicará.

Obrigado pelas lágrimas, risos, e lutas e alegrias. Obrigado por brincar comigo, por me amamentar, por me levar pro médico e pra escola. Por comprar e fazer minhas comidas, por se acordar de madrugada pra ver se eu estava bem. Obrigado pelas surras que me conduziram à sensatez e pelos milhares de Nãos!!! que evitaram que eu me arruinasse.

Obrigado Deus, meu Deus, por minha mãe existir. Obrigado por Teu amor pela humanidade em ter criado um Ser tão Extraordinário e tão parecido conTigo. Obrigado por preservares o mundo usando MÃES por todos os lados.

Obrigado pelo milagre de amor que o Senhor colocou na minha história aqui na Terra.

Obrigado; e peço que o Senhor tenha misericórdia de cada uma delas que aqui estão para que todas abandonem a porta larga e entrem pela porta estreita que conduz à Tua casa e ao Teu perfeito, infinito, incondicional, imutável e maravilhoso  AMOR.

Mãe, você é um milagre com o qual Deus generosa e graciosamente abençoou minha vida!

Obrigado, mãe!

Nós, teus filhos, te amamos e te somos eternamente GRATOS!

Na Companhia dos Filhos

Na Companhia dos Filhos

Minha esposa, Sandra, trabalha no suplemento infantil de um jornal em Fortaleza. Certa vez perguntou a um amigo nosso o que ele achara da mensagem da filha dele publicada no Dia dos Pais, alguns dias antes. Ali, a garota expressava o desejo de um passeio de carro com o pai, naquele dia tão especial.

Mas o pai estava chateadíssimo, porque somente foi saber do recado dias depois. Abriu a maleta abarrotada de papeis e lá estava um recorte de jornal. Fez questão de ler em voz alta e no fim disse desolado: “E sabem o que eu fiz com os meus filhos nos Dias dos PaisNada! Se ao menos eu tivesse lido o jornalantes!” Sua inconformação era tamanha que Sandra teve de consolá-lo, lembrando que ainda era tempo de “recuperar” no próximo domingo.

Talvez a maior falha na educação dos filhos atualmente seja o pouco (ou nenhum) tempo que os pais dedicam diretamente a seus filhos.

E não venha argumentar: “Ah, mas eu gasto horas por dia levando meus filhos pra todo o tipo de atividades, até mesmo aulas de esporte e pintura”. Isso é ótimo, mas lembre-se que você está levando-os para que alguém fique com eles. Você apenas os transportou!

Desculpe dizer, mas isso não é investir tempo diretamente com eles. Esse “leva e traz” não elimina a necessidade dos pais dedicarem aos filhos momentosespeciais, em que estão totalmente à disposição deles para conversar, tirar dúvidas, brincar, passear. Naqueles momentos eles deverão sentir que nada no mundo tem importância para você, além dos filhos.

Eu mesmo sofro, hoje, ao recordar de uma ocasião, muitos anos atrás, em que aprendi uma lição. Após o culto matinal, fomos todos almoçar com uma família amiga. Logo ao chegar em casa, meus três “pimpolhos” (agora adultos e casados) reclamaram que em vez de cochilar, eu deveria brincar com eles. Argumentei que já tinha passado as últimas horas na companhia deles, no restaurante. Mas a contestação veio fulminante: Nada disso. Você ficou conversando o tempo todo com o tio Gary e quase nem falou com a genteAssim não vale!”.

Estão vendo? Assim não vale! Eles têm seus próprios critérios, suas necessidades. São carentes por uma atenção especial. Suas mentes e coraçõezinhos estão ávidos para aprenderem tudo, e é natural que desejem receber esses conhecimentos das pessoas em quem mais confiam – os pais. É normal também que sintam vontade de receber atenção de quem mais amam. E quem são, senão os pais?

A Bíblia recomenda enfaticamente aos pais que ensinem aos filhos as coisas que aprenderam de Deus e mesmo os caminhos desta vida, de maneira geral. O pai ou mãe que levar a sério essas ordens divinas, jamais conseguirá cumpri-las sem investir muito tempo num contato pessoal e direto com seus filhos.

Posso dar uma sugestão? Por que você não reserva pelo menos uma noite por semana para ficar à disposição dos seus filhos? Eles irão vibrar. E ficarão contando os dias para chegar a esperada “noite da família”. No futuro, jamais se esquecerão delas.

E sabe de uma coisa? No futuro você – pai ou mãe –  também não esquecerá daquelas ocasiões. E relembrará com saudades do tempo em que os filhos davam tudo por uns poucos momentos ao seu redor e arregalavam os olhos para ouvirem mesmo que fosse uma simples historinha da sua boca.

Ah, meu amigo, você desejará ardentemente que os anos voltassem atrás, para que pudesse recuperar o tempo desperdiçado e valorizar mais a formação de uma sólida amizade com os filhos. Mas então você descobrirá, angustiado, que será tarde. Cada um terá tomado o próprio caminho.

Que tal começar hoje???

Pastor Mauro Clark

Do Site: http://www.falandodecristo.com

 

Eli Vive!

Eli Vive!

Leia novamente e certifique-se de que leu certo o título desse artigo. Viu? Eli vive!

Não escrevo que ELE VIVE mas que Eli vive! Infelizmente Eli vive.

Felizmente ELE VIVE. Cristo Vive. Felizmente podemos confiar que porque ELE VIVE posso crer no amanhã. Eli não ficará impune! Podemos crer que as injustiças, maldades, impiedades, os descaminhos dos homens, suas incorreções e desvios terão um fim. Teremos certamente um tão sonhado Final Feliz.

O presente porém é sombrio porque Eli vive. Temos muitos deles espalhados tanto nas igrejas quanto nos lares. Líderes que desencaminham. Pastores, diáconos, pais e mães que desonram a Deus, não levando, na prática, a Palavra de Deus a sério e danificam vidas preciosas das quais ELIs prestarão conta.

A maioria de nós lembra de ter lido no livro de 1 Samuel sobre duas famílias. Uma de um homem chamado Elcana com sua esposa piedosa Ana e um menino que nasce pra ser usado poderosamente por Deus. A outra família formada por 3 homens: o grande Sumo Sacerdote Eli e seus amados filhinhos sacerdotes Hofni e Finéias.

Enquanto Ana sofria, em sua intimidade, suas dores diante do SENHOR, Eli desonrava a Deus diante da nação de Israel. Enquanto Ana cantava seus maravilhosos cânticos, o grande Sumo Sacerdote definhava em espírito e em verdade. 

Ana, uma mulher piedosa, lutava por sua família lutas não incomuns aos nossos dias. Eli, também, tinha em si e em sua família muitas coisas em comum com os dias atuais. Ana glorificava a Deus. Eli O desonrava. Ana buscava a Glória de Deus na sua casa. Eli brincava de Sumo Sacerdote. Nada diferente do que vemos hoje em dia.

Graças a Deus temos um remanescente que ainda ora, que ainda sofre com seus pecados e dos outros, que se humilha diante de Deus e que busca Sua Glória. Ainda há donas de casa, humildes e humilhadas diante de Deus, sem muito conhecimento das Teologias Sistemáticas, mas que estão quedadas aos pés de Cristo vivendo para honrá-lO.

Eli também vive. Infelizmente. 

Ele ou Eli, permita-me o trocadilho, ainda chama de filha de Belial os que oram ao Senhor em suas simplicidades e carências. Eli ainda trata os seus queridinhos com honra mesmo sendo filhos de Belial. Ele chama o justo de perverso e o perverso está perto dele. Eli vive e infelizmente está por todo o lado.

Eli prega que não se deve roubar e rouba. Ele prega que se deve amar e odeia. Eli exorta que se deve perdoar mas não perdoa. Ele diz que expressões como Eu pequei e Perdoe-me devem ser usadas por cristãos genuínos frequentemente mas nunca ouvimos isso de sua boca. Eli insiste que se deve estender a mão mas vive cruzando os braços em rejeição. Ele proclama que Cristo deve ser o centro mas não tem uma vida, de fato, centralizada nELE.

Eli vive. Infelizmente. Multidões seguem os Elis pois estão debaixo do mesmo Juízo de seus Ídolos. Um cego guia muitos outros e todos caem no abismo. A cegueira da multidão é culpa de Eli mas é juízo à multidão que preferiu se acomodar e buscar seus próprios interesses em detrimento da Verdade e da Vontade de Deus. Multidões não estão sendo enganadas. Estão deixando-se enganar e isso é JUÍZO do Alto.

Sacerdotes engordam em dia de matança enquanto suas ovelhas definham e morrem de mortes trágicas!

Sacerdotes cegos, surdos e que não falam mais, não intermediam mais, não consolam, não ajudam, não tem compaixão, não se arrependem (ou nunca o fizeram), não se santificam e assim não podem dar aos seus seguidores aquilo que Elis não tem.

A Arca da Aliança já está distante (quem lê entenda), A frase Icabode! em certo sentido pode ser dita, Cristo está do lado de fora de muitas igrejas a bater para que lhe permitam entrar. Destruídos os fundamentos….. O mundo está dentro de seus lares e igrejas e Cristo não é o Centro das vidas. Os queridinhos Hofni e Finéias continuam casando e batizando enquanto o povo de Deus tropeça nas cascas de banana das vidas de famílias paganizadas que domingo dizem servir ao Senhor, pegando com suas mãos sujas os Santos Utensílios da Casa do Senhor.

Eli vive. Infelizmente. Porém ELE vive! CRISTO VIVE! Graças a Deus. ELE é Soberano e permite que Eli viva.

Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.

Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.

Nunca esquecerei as últimas palavras que meu pai me disse. Estávamos sentados juntos no sofá da sala de estar. Seu corpo havia sido devastado por três derrames. Um lado de seu rosto estava distorcido pela paralisia. Seu olho esquerdo e o lado esquerdo de seu lábio permaneciam incontrolavelmente caídos. Ele falou com a pronúncia pesada. Suas palavras eram difíceis de entender, mas o sentido era claro como cristal. Ele pronunciou as seguintes palavras: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.”

Foram as últimas palavras que meu pai me disse. Horas mais tarde ele sofreu sua quarta e última hemorragia cerebral. Achei-o desmaiado no chão, um fio de sangue correndo do canto de sua boca. Estava em coma. Misericordiosamente, ele morreu um dia e meio depois, sem recobrar a consciência.

Suas últimas palavras para mim foram heróicas.

Minhas últimas palavras para ele foram covardes. Protestei contra suas palavras de premonição e lhe disse rudemente: “Não diga isto, papai!”

Há muitas coisas que disse em minha vida que desesperadamente gostaria de não ter dito. Nenhuma delas é mais vergonhosa para mim que aquelas palavras ditas a meu pai. Mas palavras, assim como a flecha veloz que parte do arco que é disparado, não podem ser recolhidas novamente.

Minhas palavras foram uma censura contra ele. Recusei-me a lhe permitir a dignidade de seu testemunho final para mim. Ele sabia que estava morrendo. Recusei-me a aceitar o que ele já havia aceitado com dignidade.

Eu tinha dezessete anos e não sabia nada a respeito desse negócio de morrer. Não tinha sido um bom ano. Durante três anos observei meu pai morrer um centímetro de cada vez. Nunca o ouvi reclamar. Nunca o ouvi protestar. Ele se sentava na mesma cadeira dia após dia, semana após semana, ano após ano. Lia a Bíblia com uma grande lente de aumento. Eu estava cego para as ansiedades que devem tê-lo perseguido. Ele não podia trabalhar. Não havia salário. Nenhum seguro por invalidez. Ele se sentava ali, esperando para morrer, observando as economias, que havia guardado durante a vida, se esvaírem com sua própria vida.

Eu estava com raiva de Deus. Meu pai não estava com raiva de ninguém. Viveu seus últimos dias fiel à sua vocação. Ele combateu o bom combate. Um bom combate é aquele que é lutado sem hostilidade, sem amargura, sem autopiedade. Eu nunca havia estado num combate como aquele.

Meu pai terminou a carreira. Eu não estava nem sequer nos primeiros metros. Ele correu a carreira para qual Deus o havia chamado. Correu até que sua pernas desmoronaram. Mas de alguma maneira ele continuou em frente. Mesmo quando não podia mais andar, ele vinha toda noite para o mesa do jantar. Pedia-me para ajudá-lo. Era um ritual diário. Toda tarde eu ia ao seu quarto, onde ele estava sentado na mesma cadeira. Parava de costas, olhando na direção oposta de forma que ele pudesse colocar seus braços ao redor do meu pescoço e dos meus ombros. Eu segurava seus punhos e erguia meu corpo levantando-o da cadeira. Então o arrastava, no estilo dos bombeiros, até a mesa da sala de jantar. Ele terminou a carreira. Meu único consolo é que fui capaz de ajudá-lo. Eu estava com ele na linha de chegada.

Carreguei-o uma última vez. Quando o encontrei inconsciente no chão de alguma forma consegui colocá-lo na cama onde ele morreu. Ele não podia mais colocar seus braços ao redor do meu pescoço. Foi necessário um esforço, misturado com adrenalina, para levantá-lo do chão e colocá-lo sobre a cama. Mas eu tinha de conseguir. Era inconcebível para mim deixá-lo morrer no chão. .

Quando meu pai morreu, eu não era cristão. Fé era algo além de minha experiência e de meu entendimento. Quando ele disse: “Guardei a fé,” não compreendi o peso de suas palavras. Eu as descartei. Não tinha a mínima idéia de que ele estava citando a última mensagem do apóstolo Paulo para seu amado discípulo Timóteo. Seu eloqüente testemunho não teve nenhum valor para mim na ocasião. Mas agora tem. Agora entendo.

Agora desejo perseverar como ele perseverou. Desejo correr a carreira e terminar a corrida como ele o fez antes de mim. Não tenho nenhum desejo de sofrer como ele sofreu. Mas quero guardar a fé como ele a guardou.

Se meu pai me ensinou alguma coisa, ele me ensinou como morrer.

Uma Homenagem a R.C. Sproul: um dos melhores professores sobre as coisas celestiais que Deus já nos presenteou. Desde ontem ele desfruta do seu SENHOR após ter combatido, como poucos, o bom combate!

– Robert Charles Sproul, (13 de fevereiro de 1939, em Pittsburgh, 14 de dezembro de 2017 Pensilvânia)
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Fonte: Compartilhado pelo Pastor João de Deus – Alagoas. Trecho extraído do livro “Surpreendido Pelo Sofrimento”, por R. C. Sproul

Imagem de: http://dacruzacristo.blogspot.com.br/

A mãe estupradora.

A mãe estupradora.

“Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino…” (1Co 13.11).

O ministério pastoral, como seria de se esperar, muitas vezes nos coloca em contato com o lado mais horrível da vida. Quando, porém, esse lado feio atinge crianças, a comoção que nos abate é bem mais forte.

Eu me formei em teologia em 1987. Desde então, nunca deixei de trabalhar com a igreja. Nesse trabalho, ouvi muitos testemunhos e vi muita coisa ruim sobrevindo a meninas e meninos indefesos. Tive contato com mulheres que, quando pequenas, foram estupradas pelo próprio pai. Algumas delas eram dominadas por uma tristeza que só o poder de Jesus poderia curar. Socorri crianças que estavam prestes a ser esfaqueadas e mortas dentro de suas casas. Dei assistência a filhos pequenos de alcoólatras que os deixavam viver ao léu, sem escola, sem cuidado, sem orientação, sem… sem nada. E quando eu testemunhava tais coisas, pensava comigo: “Como alguém pode fazer isso com um pequenino desses? Justamente a pessoa que mais deveria protegê-lo!”.

De todos os males que vi pais perversos praticarem contra seus filhos, o estupro sempre foi o que mais me chocou. E ainda me choca! Eu não consigo compreender a mente da pessoa que pratica essa insanidade; não sou capaz de discernir o impulso que a move; percebo-me aquém da capacidade de entendê-la e também aquém da capacidade de expressar toda repugnância que sinto diante de um homem que abusa sexualmente da própria filha ― o monstro inominável que faz uso até de violência e graves ameaças para violar o corpinho frágil da criança que ele mesmo gerou.

“Violar uma criança.” Pode haver crime mais horrível do que esse? Até poucas semanas atrás, eu associava essa conduta imunda apenas a marmanjos safados que agem às escondidas, ficando ainda mais enojado quando pensava no tal marmanjo sendo o pai da vítima. Agora, porém, salta aos olhos uma nova forma de violação dos pequeninos ― uma forma de violência que não atinge de pronto o corpo da criança, mas que remove dela um elemento crucial presente em seu íntimo e capaz de protegê-la de perigos enormes.

A que eu me refiro, porém, quando falo de “um elemento crucial presente em seu íntimo e capaz de protegê-la de perigos enormes”? Tenho em mente aquela barreira aparentemente instintiva que toda criança demonstra ter quando se vê diante de algo que não pertence ao seu universo. De fato, parece que há certos mecanismos psíquicos que fazem as crianças serem cautelosas com aquilo que estranham e com coisas que as confundem. Segundo entendo, esses mecanismos são bons e necessários para sua própria proteção.

Deixem-me dar um exemplo: há alguns meses, brinquei com uma garotinha de cerca de dois anos de idade que não me conhecia bem e que estava no colo de uma tia da igreja. Eu sorri para ela e fiz aqueles gracejos idiotas que a gente se pega fazendo quando está diante de uma criança fofinha. A menininha, porém, não correspondeu de pronto. Ela me olhou séria, vasculhando meu rosto estranho. Desconfiada, ela tinha ares de quem nitidamente perscrutava minha figura e meu comportamento. Certamente estava em busca de algum elemento que a ajudasse a concluir se podia ou não responder positivamente às minhas macaquices. Então, ao fim de alguns segundos, não sendo capaz de chegar a conclusão alguma, ela olhou para o seu pai que estava ali, inquirindo-o com os olhinhos negros. Era como se dissesse: “Papai, acho que há algo errado aqui. Não consigo avaliar como devo responder a ‘isso’ que vejo à minha frente. Por favor, me ajude!”. O pai, então, deu um sorriso de aprovação, mostrando que tudo estava dentro da normalidade. Ainda assim, a menininha demorou um pouco para se soltar diante das minhas brincadeiras. Eu não a culpo (e você também não a culparia se visse uma foto minha).

Notem: estou falando de uma criança de dois aninhos! A mim me parece, portanto, que o próprio Deus colocou uma barreira interna nas crianças; algo que funciona como um mecanismo de proteção contra gente ruim, um muro que serve como o primeiro obstáculo que as pessoas perversas têm de superar antes de prosseguir em suas maldades contra elas.

Pois bem. A nova forma de violar uma criança é exatamente nesse campo. Estão removendo delas essa barreira interna; estão derrubando o muro de proteção natural que elas têm. Querem uma prova assustadora disso? Bem, há algumas semanas todos viram uma mulher induzir sua filha pequena a interagir com um homem nu durante uma exposição realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Ao fazer isso, aquela mãe violou a alma, o próprio coração de sua filha. De fato, aquela mãe fez desabar a única cerca interna que poderia proteger sua menina de canalhas pervertidos e construiu no lugar dessa cerca uma ponte por meio da qual todas as formas de obscenidade e perversão chegarão àquela criança, mutilando-a, desfigurando-a, explorando-a e saqueando-a ao longo da vida.

É assim que, no mundo de crescentes sujidades em que hoje vivemos, surge uma figura inesperada, jamais vista nem mesmo nos nossos piores pesadelos: a figura da mãe que violenta a alma de sua filha precisamente no campo da moral sexual; a figura da mãe que profana o coração da criança que gerou, arrancando sua cortina de proteção. Surge, enfim ― pode-se dizer ―, a figura da mãe estupradora! O que mais nos falta agora?

Pr. Marcos Granconato

Soli Deo gloria

Sob autorização do site: http://www.igrejaredencao.org.br

PS: Agradeço sinceramente ao irmão Carlos Guandalini por ter compartilhado comigo alguns insightspessoais que me ajudaram na composição deste texto.

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